Quando tomar decisões é necessário

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Quando tomar decisões é necessário

Paulo Pereira
Escrito por Paulo Pereira em 7 de junho de 2016
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Há um certo tempo venho pensando com maior frequência sobre como é difícil tomar decisões, principalmente quando estas são de caráter permanente. E quando estou nestes momentos de autoquestionamento, recordo-me de tantas outras pessoas que, assim como eu, acham isso um fardo. Então penso: seria isso uma questão pessoal ou mais um mal da minha geração?

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Não é segredo que o jovem de hoje – e ai me incluo – sofre de vários problemas. A necessidade de mudanças rápidas, a superestimação excessiva, a inversão de valores considerada normal, a busca constante da liberdade muitas vezes confundida com libertinagem, entre outros, são alguns dos problemas que, ao meu ver, trazem maior impacto às nossas vidas. E talvez como junção disso tudo vem a nossa insegurança quando o assunto é: eu tenho que decidir algo.

Nós queremos ter tudo durante todo o tempo que quisermos. Isso é inerente a todas as idades, mas muito marcante e acentuada para quem está no auge da juventude. Por querermos tudo, nos sentimentos impotentes e confusos quando temos que decidir, porque sabemos que para cada escolha existe uma renúncia e um preço a pagar. E não fomos preparados para balizar à luz da razão e fazer a opção pelo que é melhor.

Nossa primeira opção é dar um jeito e ficar com as duas, as três, as quatro opções, ajustando uma aqui e outra ali até caber, de algum jeito, em nossas vidas.  Não pagamos o preço pelas escolhas, neste caso, mas pagamos uma gorda conta por afogar nossa vida em uma infinita bagunça.

Mas, em algum momento da nossa vida ou em vários momentos, nós somos obrigados a fazer escolhas, sejam elas passageiras ou definitivas. E aí, não conseguimos dar um jeitinho para contornar a situação. Temos que fazê-las e ponto. E por que é tão difícil?

Certa vez li que nós havíamos perdido o poder de decisão pelo motivo de termos medo de errar, porque se erramos, ficamos preocupados com o que os outros irão pensar de nós e como isso poderá afetar a minha segurança. Regressei, portanto, a uma das minhas indagações e voltei a refletir: somos capazes de nos massacrar por medo do que outros podem pensar de nós, enquanto não encontramos problema em nos agredir fazendo coisas que não gostamos ou nos sobrecarregando de inúmeras “escolhas”? Somos esquisitos.

Penso, também, que cada vez mais, decisões permanentes não são feitas, porque o verbo permanecer quase já não faz parte do vocabulário de um mundo onde tudo é temporário à exemplo da velocidade da luz. São amores eternos com vida útil de uma noite, profissões que duram um semestre, casamentos duráveis somente até a primeira briga… enfim, tanta coisa que são tão facilmente decididas e “desecididas”, como respirar.

Não é que mudar seja ruim. Pelo contrário, é necessário. A questão aqui é que não recebemos formação para saber escolher algo para a vida toda. Somos uma geração confusa, indecisa e enganada por si mesmo, que acha que sabe e pode tudo e que tem todo o tempo tudo mundo para mudar conforme aquilo que mídia, amigos, família e desconhecidos dizem.

Decidir não deveria ser algo difícil e escolhas não poderiam ser embasadas no que as outras pessoas vão pensar. Seja no trabalho, na vida pessoal, em relacionamentos… o que deve ser levado em consideração é o que é certo, o que é errado, e o que é melhor para cada um. Não somente para o hoje. O longo-prazo existe e não é só uma expressão de negócios. Deve ser levada em consideração, porque nem sempre temos todo o tempo para mudar de ideia.

 Decisões são precisas!

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