Empregador pode controlar quantas vezes o empregado vai ao banheiro?

Jornada de Trabalho

Empregador pode controlar quantas vezes o empregado vai ao banheiro?

Paulo Pereira
Escrito por Paulo Pereira em 4 de novembro de 2016
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O portal UOL divulgou, no início do ano, uma matéria bem interessante a respeito do tema “idas ao banheiro”. Nela, o especialista em direito do trabalho respondeu se uma empresa pode controlar ou não, quantas vezes o empregado vai ao banheiro.

Segundo o advogado Ricardo Pereira de Freitas Guimarães, a empresa não pode limitar o número de vezes que um funcionário vai ao banheiro durante o expediente, nem o tempo gasto por ele nesse intervalo.

Apesar de não existir legislação específica que aborde o assunto, esse é o entendimento da Justiça.

“Não é previsto em lei, mas não precisaria ser. É uma necessidade fisiológica vinculada à dignidade humana”, afirmou o especialista em direito do trabalho  em entrevista concedida ao portal UOL.

De acordo com o artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal, são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

E é sobre este dispositivo que a Justiça costuma apoiar suas decisões.

Ainda de acordo com o Portal, processos envolvendo empregadores que tentam regular a quantidade de idas ao banheiro dos empregados estão aumentando.

No TST (Tribunal Superior do Trabalho), o número de ações sobre isso passou de 3 para 83 entre 2013 e 2015, segundo o próprio órgão.

Ricardo Guimarães ainda afirma que um dos setores em que essas restrições são mais comuns é o de telemarketing.

Abaixo, transcrevo na íntegra, parte do texto publicado pelo UOL Economia.

EMPRESA PODE COMPUTAR

Na avaliação do advogado, não é um problema que a empresa faça algum tipo de contabilidade sobre o uso do banheiro.

Elas podem, por exemplo, contar quantos funcionários estão fora da sua mesa de trabalho em determinado momento, para garantir um mínimo de pessoas fazendo o serviço.

“Com esse tipo de controle [a empresa] pode saber o tempo real de trabalho e fazer contas de atendimento [a clientes], por exemplo”, afirma. “Pode ser um fator administrativo, mas não discriminatório [dos funcionários].”

“O ponto é como controlar esse tempo, esse horário”, afirma Renato Santos, sócio da S2, consultoria especializada em prevenir e tratar atos de assédio. “Se a empresa pega esse controle e humilha o funcionário, é assédio moral.”

Chamar a atenção do funcionário em público ou dar tratamento diferente, controlando o intervalo de um e não de outro, por exemplo, são formas desse tipo de assédio, diz Santos.

Ou seja, computar o número de vezes que os funcionários vão ao banheiro é possível. O que não pode é divulgar esses dados, ou expor algum trabalhador publicamente.

ABUSO GERA PUNIÇÃO

O fato de a Justiça não permitir a restrição do uso do banheiro, porém, não significa tolerância com abusos.

O funcionário não pode usar o intervalo para ir ao banheiro como desculpa para fazer outras coisas que não suas necessidades, muito menos para deixar de trabalhar.

Se fizer isso, ele pode ser punido, inclusive com demissão, dependendo do caso, segundo o advogado Ricardo Guimarães.

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Imagem destacada:Projetado pelo Freepik

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